Escrito por Toyoko Matsuura
A esse pequeno grupo, diz Jesus : «A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino dos céus e ao povo só lhe falo em parábolas». Devido ao variado grau de evolução espiritual, existe essa divisão de grupos entre seres.
As obras do Creador são únicas, originais e absolutas sem repetição, não existindo injustiça nem direitos na sua Creação, pois Deus distribui os seus dons de graça, cabendo à cada um valorizar e multiplicar, ou não, o que recebeu gratuitamente e já armazenado em sua essência. Objetivamente, os dons recebidos de graça são neutros, nem pequenos nem grandes, nem bons nem maus.
Quem dá forma e o colorido somos nós, valorizando ou não, na bondade ou na maldade, conforme a nossa realização. É no subjetivo que se tornam grandes ou pequenos os dons distribuídos pelo Creador, gratuitamente.
Frutificar os talentos recebidos de graça, muito ou pouco, não por direito, depende da liberdade consciente de cada um. Se Deus nos dá oportunidades ou talentos mesmo sem merecimento nem direito, sejam dez ou cinco talentos, não há injustiça nessa distribuição.
Se observarmos atentamente os vegetais veremos que, na sua misteriosa consciência biológica, nenhuma planta se envaidece por deslumbrantes cores ou formas ou humilha-se por ser pequenina de forma, simples e sóbria, por saber que nem este ou aquele tem o direito de ser o que são. Muito ou pouco é uma graça recebida, distribuída, gratuitamente, pelo Creador.
Assim, é cada creatura, uma deslumbrante orquídea de variadas cores ou uma violeta unicolor simples, mas de uma fantástica perfeição. O importante é usar plenamente o conteúdo de suas potencialidades recebidas gratuitamente, cumprindo a sua missão.
Quanto maior o talento ou dom recebido, maior deverá ser a sua frutificação e a responsabilidade do uso da potencialidade ganha, gratuitamente. Pode-se até perder, pelo desperdício, os dons, devido à potência deixada infrutífera.
Assim, podemos dizer que aos «escolhidos» para conhecer os mistérios do reino dos céus, serão confiados mais responsabilidades espirituais do que aos chamados para ouvir as verdades através de parábolas.
«Muito será exigido a quem muito foi dado e pouco será exigido a quem pouco foi dado.» Essa é lei cósmica proporcional ao que foi dado e ao que será exigido.
Cabe a nós, homens, intensificar a nossa receptividade espiritual para poder conhecer os mistérios do reino dos céus. Se nos envaidecermos por ser um dos escolhidos, seremos, por isso, os não escolhidos, já que nos vangloriamos de algo que não é nosso, mas de Deus, pois os dons espirituais vêm do Eu Divino e não do ego humano.
Entendemos portanto, que a graça é sempre um dom gratuito de Deus e não um merecimento humano.
Um abraço querido leitor.
Cecília Matsuura